Precisamos falar mais sobre o perfil dos homens que matam para reforçar a proteção às mulheres, diz Delegada Nadine

A deputada estadual Delegada Nadine (PSDB) tem reforçado, na Assembleia Legislativa, a defesa de políticas públicas estruturais para enfrentar o feminicídio no Rio Grande do Sul. Em 2025, o Estado registrou 80 casos — uma mulher morta a cada quatro dias — além de uma tentativa a cada 31 horas. Em quatro anos, 660 crianças e adolescentes ficaram órfãos de mãe em decorrência desses crimes. Já nos primeiros meses de 2026, 13 feminicídios foram contabilizados, mantendo o cenário de alerta.

Primeira mulher a chefiar a Polícia Civil gaúcha em 180 anos, com trajetória construída na Delegacia da Mulher, Nadine sustenta que é preciso mudar o foco do debate. “Precisamos falar mais sobre os homens que matam do que sobre as mulheres que morrem. Durante muito tempo se justificou como crime passional, mas não há paixão nenhuma nessas mortes. Há posse, propriedade e uma cultura machista que ainda persiste”, afirma. A parlamentar também alerta para o chamado “efeito copycat”, quando a ampla divulgação de crimes pode estimular novas ocorrências.

No Parlamento gaúcho, a deputada apresentou quatro projetos de lei para enfrentar o problema de forma preventiva e inovadora: o RS Ampara, que assegura apoio financeiro e psicológico a órfãos do feminicídio; um sistema preditivo que cruza dados da saúde, educação e segurança para identificar famílias em risco; a consulta de antecedentes, permitindo que mulheres verifiquem histórico de violência de seus companheiros; e a Linha Calma, canal de atendimento voltado a homens, inspirado em experiência internacional, para evitar que frustrações e sentimentos de humilhação evoluam para agressões.

Para Nadine, tratar os homens também como parte da solução é fundamental. A deputada defende ainda a criação de um observatório sobre o perfil dos agressores, a fim de compreender padrões de comportamento e fortalecer estratégias de prevenção. “Os homens estão cometendo feminicídio e se suicidando. Eles estão dando sinais de que também precisam de ajuda. Precisamos criar políticas públicas para eles”, ressalta. Ela reforça que o enfrentamento à violência contra a mulher exige ação integrada do poder público e mobilização da sociedade. 

Jornalista responsável: Luís Gustavo Machado (MTE 15280)

Foto: Marcelo Oliveira | Agência AL/RS

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